O hipnoterapeuta Pyong Lee explicou que para entender como a hipnose pode auxiliar no tratamento de vícios, primeiramente, é necessário diferenciar a hipnose da hipnoterapia.
“A hipnose, de forma simplificada, é o uso da linguagem para criar realidades subjetivas, permitindo diversos fenômenos como a amnésia de informações, alucinação visual, anestesia, dentre outros processos.
Pelo fato da hipnose trazer reações e fenômenos impressionantes é comum que ela seja utilizada no âmbito do entretenimento, com apresentações de hipnose cômica e vídeos nos YouTube com foco na recreação.”
Segundo o especialista, no caso da hipnoterapia, a hipnose também é utilizada, porém, a ferramenta é combinada com um processo terapêutico baseado em evidências científicas da psicologia e da neurociência.
“Por esse motivo, a hipnoterapia apresenta excelentes resultados no tratamento de transtornos como a depressão, ansiedade, fobias e os vícios.
Podemos entender, portanto, que a hipnose em si não irá auxiliar uma pessoa no tratamento dos vícios, pois essa técnica traz apenas alguns fenômenos temporários, como esquecer o próprio nome por alguns minutos. Entretanto, quando combinamos essa ferramenta com um processo terapêutico validado, os resultados positivos são inquestionáveis”, explicou.
Pyong afirmou que o primeiro aspecto que a hipnoterapia pode auxiliar no tratamento de vícios é no desenvolvimento do autocontrole da pessoa, permitindo que ela tenha uma maior capacidade de evitar comportamentos impulsivos e recaídas ao longo do tratamento.
“Além disso, a hipnoterapia é capaz de reduzir a ansiedade causada pela fissura em relação ao vício, que é justamente a parte mais desafiadora para quem deseja realizar esse tipo de mudança comportamental. No caso do controle da fissura, um bom hipnoterapeuta também saberá passar outras técnicas que podem ser utilizadas ao longo da rotina do cliente.”
Conforme o hipnoterapeuta, muitos casos de dependência química envolvem uma dependência psicológica e emocional relacionada com a droga. Dessa forma, os traumas, depressão, maus tratos, dificuldade de lidar com os fracassos e estresse constante, podem ser alguns outros elementos que mantém um vício ativo.
“A hipnose clínica pode auxiliar a pessoa com técnicas para desenvolver os recursos necessários na resolução e ressignificação dos seus conflitos emocionais. No caso de uma pessoa que fuma pela dificuldade de lidar com a rejeição, a hipnoterapia pode atuar pontualmente nessa questão e enfraquecer os vínculos emocionais com a substância, por exemplo.”
Além dos pontos mencionados, para Lee, a hipnoterapia se mostra eficiente no tratamento de vícios porque torna a pessoa mais engajada e participativa no processo de tratamento, já que a terapia atua diretamente nos gatilhos psicológicos relacionados com o vício e promove maior autoconhecimento das suas cognições, afetos e comportamentos.
Por Pyong Lee é mágico, hipnoterapeuta e terapeuta pela NGH – National Guild of Hypnotists e já estampou a capa da Forbes na lista Under 30.
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